FairTrip, seu ‘TripAdvisor’ responsável e sustentável

O aplicativo conta com mais de 1500 dicas de hospedagem, restaurantes e passeios éticos pelo mundo

Para quem está naquele momento de planejar as férias, como é meu caso agora, é sempre empolgante descobrir novos recursos. E foi uma surpresa ótima encontrar o FairTrip, aplicativo novinho em folha (lançado em 2017), que pretende ser uma rede colaborativa com dicas de viajantes pelo mundo.

Soa familiar? Afinal, já há várias plataformas assim, como a mãe de todas elas TripAdvisor. Só que o FairTrip tem  um diferencial: uma espécie de filtro responsável-sustentável permanentemente ativado.

Gratuito e sem a necessidade de fazer login (menos um armazenador de dados pessoais, ufa), o aplicativo permite que os usuários encontrem e compartilhem lugares que ofereçam serviços de impacto positivo social e econômico, sobretudo para as comunidades do lugar (sejam elas rurais, florestais ou urbanas). O foco é no comércio justo e serviços de circuito curto (pelas proximidades).

DESIGN INTUITIVO

Com informações em inglês e francês, o app tem poucos e objetivos botões divididos em categorias. São elas: acomodações, restaurantes, lojas/passeios/atividades e instituições que promovam trabalhos sociais (como ONGs ou locais que demandem trabalho voluntário).

FairTrip
Experiência do usuário é simples e objetiva

Você pode digitar o nome do destino ou procurar os pins no mapa-múndi do aplicativo. Eu curti mais explorar desse jeito, até porque, como ainda estão começando, ainda não há uma suuuper oferta de cidades – e, pelo mapa, fica mais estimulante. O Brasil, por exemplo, está bem carente de recomendações. No Rio de Janeiro, só há a dica de uma aula de surfe. :-/ Precisamos logo dar um jeito nisso e passar sugestões.

Mercado em Siem Reap
Experiências locais autênticas são bem-vindas no FairTrip. Foto: Mercado em Siem Reap, Camboja, 2013

Aí você pensa: opa, peraí, então, será que posso confiar nessas reviews? E se indicarem lugares comuns, sem nenhum compromisso com o turismo responsável? Em teoria, para virar uma dica avalizada, é preciso atender a alguns critérios (não todos da lista). Que são: respeitar a cultura e arquitetura local, ser efetivamente um motor na economia social e solidária, estimular a inclusão social entre seus profissionais, privilegiar os produtores locais, entre outros. 

Eu testei a inclusão do Teva, meu restaurante vegano sustentável favorito no Rio, e recebi uma simpática mensagem agradecendo e afirmando que, após avaliação, se fosse o caso, a dica entraria na próxima atualização do aplicativo. A ver. 

BOAS IDEIAS NA EUROPA E ÁSIA

E o que está bem servido por lá? Como é um app francês, grande parte das opções está concentrada no país hexagonal e na Europa. Ótimas pedidas, tanto que dá vontade de ignorar este atual euro proibitivo e ir correndo pro Velho Mundo.

As dicas aumentam a cada dia e já há sugestões legais também pela América, África e Ásia, sendo este continente o de melhor cobertura depois da Europa, visto que seus fundadores mochilaram bastante por lá. Dessas experiências nasceu a startup.

Collioure
Passeio em Collioure, na Catalunha francesa

Brian Corrieri e Thévi de Coninck se conheceram nos Estados Unidos. Com formação parecida (estudaram Ciências Políticas e Direito na França), juntaram o desejo de contribuir para transformar o atual turismo, cada vez mais sufocante (literalmente, já que esta indústria é responsável por 8% das emissões de CO2 do mundo), em uma atividade mais ética, justa e proveitosa para os habitantes.

Aparentemente, estão indo bem. Acabaram de conseguir financiamento coletivo por crowdfunding (veja aqui mais detalhes da empreitada) para melhorar a funcionalidade do guia. Se depender de nós (e da rápida aprovação das dicas), o app e os viajantes sustentáveis só têm a ganhar. 

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